30 de setembro de 2010

Poder para os blogueiros da China

Este momento era inevitável. Desde que a China começou a descascar o comunismo e se transformar em uma potência econômica global, seus líderes têm seguido a estratégia da “ascensão pacífica” –ser modesto, agir de modo prudente, não assustar os vizinhos e certamente não mobilizar alguma coalizão contra nós.

Mas nos últimos anos, com o modelo econômico americano tendo sofrido um embaraçoso choque autoinfligido, e com o “consenso de Pequim” zunindo, surgiram vozes na China dizendo que “o futuro nos pertence” e talvez devêssemos deixar que o mundo, ou ao menos a vizinhança, saiba disso um pouco mais afirmativamente. Por ora, essas vozes vêm em grande parte de generais aposentados e blogueiros radicais –e a liderança chinesa permanece cautelosa. Mas uma briga diplomática recente deixou os vizinhos da China, sem contar Washington, se perguntando por quanto tempo a China manterá a postura de gigante gentil.Com cerca de 70 milhões de blogueiros, os líderes da China estão sob constante pressão para serem mais assertivos por uma blogosfera de inclinação populista e nacionalista, o que, na ausência de eleições democráticas, está se transformando na voz de fato do povo.

A briga diplomática foi uma sessão do fórum regional da Associação das Nações do Sudeste Asiático, ou Asean, realizada em 23 de julho em Hanói. Estavam presentes ministros das relações exteriores dos 10 membros da Asean, assim como a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e o ministro das relações exteriores da China, Yang Jiechi.

Segundo um dos diplomatas presentes no encontro, os ministros da Asean se revezaram de forma sutil, mas firme, no alerta para que a China recue de sua decisão de reivindicar “soberania incontestável” sobre o Mar do Sul da China rico em recursos, que se estende de Cingapura ao Estreito de Taiwan e até o Vietnã, e por onde passa aproximadamente metade das cargas mercantes do mundo. Acredita-se que ele contenha grandes reservas de petróleo e gás em seu leito, e recentemente a Marinha chinesa tem sido mais agressiva na tomada de barcos pesqueiros, por suposta violação de sua soberania lá. A China também se envolveu em disputas marítimas com a Coreia do Sul e o Japão.

À medida que um ministro após o outro se alternava no encontro da Asean em reafirmar sua posição a respeito do Mar do Sul da China ou argumentar que qualquer disputa territorial deve ser resolvida de forma pacífica e de acordo com a lei internacional, o ministro das relações exteriores chinês foi ficando cada vez mais agitado, segundo um participante. E após Clinton ter falado e insistido que o Mar do Sul da China era uma área onde os Estados Unidos têm “um interesse nacional” na “liberdade da navegação”, o ministro chinês pediu um breve adiamento e depois se manifestou.

Falando sem texto, Yang insistiu por 25 minutos que aquela era uma questão bilateral, não uma entre a China e a Asean. Ele olhou para Clinton durante grande parte de sua fala, que incluiu a observação de que “a China é um país grande” e grande parte dos demais membros da Asean “são países pequenos”, noticiou o jornal “The Washington Post”. O consenso na sala, disse o diplomata, era de que o ministro chinês estava tentando intimidar o grupo e separar os reivindicantes territoriais dos não reivindicantes, para que não pudesse haver uma ação coletiva da Asean e cada país negociasse separadamente com a China.

Assim que a reação negativa com o discurso de Yang chegou a Pequim, os líderes da China buscaram minimizar o caso, por temor de que após uma década de diminuição da influência americana na região, eles estavam prestes a empurrar todos seus vizinhos de volta ao abraço americano.

O quanto os líderes chineses conseguirão esfriar o assunto, entretanto, dependerá em parte de uma terceira parte: a blogosfera chinesa, onde toda uma geração de chineses educada pelo governo de que os Estados Unidos e o Ocidente desejam manter a China inferiorizada, agora possui seu próprio megafone para condenar qualquer autoridade chinesa que ceda demais como sendo “pró-americana” ou “um traidor”.
Interessantemente, a embaixada americana em Pequim começou a contatar essa mesma blogosfera –até mesmo convidando os blogueiros a viajarem no carro com o embaixador americano, Jon Huntsman, e entrevistá-lo quando visitar suas províncias chinesas –para transmitir a mensagem americana, sem o filtro da mídia estatal chinesa.

“Pela primeira vez a China tem uma esfera pública para discutir tudo o que afeta os cidadãos chineses”, explicou Hu Yong, um especialista em blogosfera da Universidade de Pequim. “Sob a mídia tradicional, apenas a elite tinha voz, mas a Internet mudou isso.” Ele acrescentou: “Nós agora temos uma mídia transnacional. É toda uma sociedade falando, de forma que agora pessoas de várias regiões da China podem discutir quando algo acontece em um vilarejo remoto –e a notícia se espalha por toda parte”. Mas este mundo de Internet “é mais populista e nacionalista”, ele prosseguiu. “Muitos anos de educação de que nossos inimigos estão tentando nos manter inferiorizados produziu toda uma geração de jovens cujo pensamento é este, e agora eles têm toda a Internet para expressá-lo.”

Fique atento. Os dias em que Nixon e Mao podiam administrar este relacionamento em segredo se foram. Há muito mais elementos instáveis em ação hoje, e muito mais agentes com poder para inflamar ou acalmar as relações entre os Estados Unidos e a China. Ou parafraseando a princesa Diana, há três de nós neste casamento.

Tradução: George El Khouri Andolfato
UOL notícias - 15/09/2010 - 02h16
Thomas L. Friedman - (Colunista de assuntos internacionais do New York Times desde 1995, Friedman já ganhou três vezes o prêmio Pulitzer de jornalismo).
Em Pequim (China)

TINA TURNER - 2010 - Notícias


A veterana popstar Tina Turner pode ainda convocar sua trupe de dançarinas para mais uma turnê mundial, embora por enquanto prefira jantares preparados em casa e uma vida sem estresse.

Sentada na primeira fileira do desfile de moda da Giorgio Armani Privé, em Paris, na segunda-feira, a cantora de 70 anos estava radiante em um top preto brilante cujo decote revelava suas curvas, com os cabelos presos ao alto.

– As pessoas queriam me ver. Havia tanta gente segurando cartazes dizendo ‘obrigado’ –, disse ela, falando de sua turnê de 2008, que rendeu US$ 47,7 milhões.

Indagada se pretende fazer outra turnê, Tina Turner disse:

– Ainda não tomei uma decisão a respeito disso. Não estava planejando fazer uma turnê grande, em grandes estádios. Não estou dizendo que não farei, que não convocarei as garotas para fazer alguma coisa, mas ainda não decidi.

Tina Turner é há décadas uma das artistas de maior sucesso do mundo, cantando sucessos como Simply The Best e What’s Love Got To Do With It em concertos agitadíssimos nos quais ela se esbalda no palco.

No evento da Armani, enquanto no backstage as modelos se preparavam para um desfile de alta-costura repleto de longos brancos e conjuntinhos com saias pregueadas, Tina disse que gosta de roupas simples para o dia-a-dia, mas ainda tem paixão por looks mais ousados.

– O que mais gosto são saias curtas, que funcionam bem para dançar muito –, disse.

– Meu tronco é curto. Fico melhor de saia curta.

E, mesmo que outra rodada exaustiva de concertos não seja iminente, os fãs ansiosos podem consolar-se com a perspectiva de um novo álbum.

– Gravar é algo que sempre foi mais fácil que fazer turnês –, disse Turner, sorrindo.

Sem se incomodar com a massa de fotógrafos à sua volta, ela disse que, embora adore apresentar-se em público, percebe as vantagens de uma vida mais tranquila.

– Recebo amigos em jantares. Posso ir a festas. Quando você não está trabalhando, tem mais liberdade –, disse.

– Estou simplesmente curtindo a vida –, declarou.

26/1/2010 13:53, Redação, com Reuters - www.correiodobrasil.com.br

7 de julho de 2010

Amor romântico é um vício, dizem pesquisadores

Enquanto olham para as fotografias dos antigos parceiros, homens e mulheres com o coração partido ativam regiões no cérebro associadas com recompensa, ânsia do vício, controle das emoções e sentimentos de apego, dor física e angústia

Aqueles que sofrem por um amor perdido pode ter uma razão biológica para a sua situação. Uma nova pesquisa sobre o cérebro publicada na edição de julho do Journal of Neurophysiology sugere que a rejeição de um amante pode ser semelhante ter de se livrar de um vício.

O estudo é um dos primeiros a examinar o cérebro de pessoas que tiveram o "coração partido" recentemente e têm dificuldade de esquecer o seu relacionamento. Os pesquisadores descobriram que, enquanto olham para as fotografias dos antigos parceiros, homens e mulheres com o coração partido ativam regiões no cérebro associadas com recompensa, ânsia do vício, controle das emoções e sentimentos de apego, dor física e angústia.

Os resultados fornecem respostas sobre os motivos pelos quais pode ser muito difícil para alguns superar uma ruptura e porque, em alguns casos, as pessoas são levadas a cometer atos extremos, como perseguições e homicídios, depois de perder o amor.

"O amor romântico é um vício", disse a autora da pesquisa, Helen E. Fisher, antropóloga biológica da Rutgers University, em New Jersey, nos Estados Unidos em entrevista ao site Livescience. "É um vício muito poderoso e maravilhoso quando as coisas estão indo bem e um vício horrível quando as coisas estão indo mal", disse ela.

Os pesquisadores desconfiam que a resposta do cérebro à rejeição romântica possa ter uma base evolutiva. "Eu acho que os circuitos do cérebro para o amor romântico desenvolveram-se há milhões de anos para permitir que os nossos antepassados concentrassem sua energia de acoplamento em apenas uma pessoa por um tempo e iniciar o processo de acasalamento", disse Fisher. "E quando você foi rejeitado no amor, perdeu o maior prêmio da vida que é um parceiro para o acasalamento", afirma a pesquisadora. "Este sistema do cérebro é ativado, provavelmente, para ajudar ao rejeitado a tentar conquistar a pessoa de volta, para que se concentre nela e tente recuperá-la", disse ela.

Cérebro dos corações partidos
Fisher e seus colegas fizeram a varredura dos cérebros de 15 voluntários em idade de frequentar a faculdade (10 mulheres e 5 homens) que tinham experimentado recentemente uma ruptura, mas ainda amavam a pessoa que os havia rejeitado. A duração média das relações era de cerca de dois anos, e 2 meses haviam se passado, em média, desde o rompimento dos relacionamentos.

Todos os participantes tiveram altas pontuações na Escala de amor apaixonado, um questionário que psicólogos utilizam para medir a intensidade dos sentimentos românticos. Os participantes também disseram ter gasto mais de 85% de suas horas acordados pensando em quem os rejeitou.

No experimento, os participantes olhavam uma fotografia de seu ex-parceiro e foram convidados a pensar sobre os acontecimentos que ocorreram com ele ou ela. Os participantes também olhavam para uma imagem neutra de uma pessoa familiar, como um colega ou amigo de um amigo. Para tentar reprimir os sentimentos românticos despertados a partir da primeira metade do experimento, os pesquisadores pediram aos participantes que competissem em um exercício de matemática entre o momento de olhar a fotografia do amado e a fotografia neutra.

Resultados
- Visualizar o ex-parceiro estimulou uma região do cérebro chamada área tegmental ventral, envolvida na motivação e recompensa. Trabalhos anteriores demonstram que essa região também está ativa em pessoas que estão loucamente apaixonadas. Isso faz sentido, porque "se você está feliz no amor, ou se você está infeliz no amor, você ainda está apaixonado", disse Fisher.

- As regiões do cérebro conhecidas como núcleo accumbens e córtex orbitofrontal/pré-frontal também foram ativadas. Estas regiões são conhecidas por serem associadas ao vício em cocaína e a intensa dependência ao cigarro.

- Houve também aumento da atividade no córtex insular do cérebro e do cíngulo anterior, as regiões associadas com a dor física e angústia.

Algumas boas notícias
Os investigadores encontraram algumas boas notícias para as pessoas romanticamente rejeitadas: parece que o tempo cura a dor que elas estão sentindo hoje. Quanto mais o tempo tinha passado desde a separação, menor atividade havia em uma região do cérebro associada ao prazer e à recompensa.

As áreas do cérebro envolvidas na regulação da emoção, a tomada de decisão e avaliação também foram ativadas quando os participantes viram a foto do seu ex-amor. "Isto sugere que os participantes estavam aprendendo a partir de sua experiência romântica passada, avaliando os seus ganhos e perdas e descobrindo como lidar com a situação", disse Fisher.

Estes resultados sugerem que falar sobre sua experiência, ao invés de simplesmente "curtir" o sofrimento, pode ter benefícios terapêuticos para o apaixonado. "Parece ser saudável para o cérebro, ao invés de apenas ficar nadando em desespero, pensar sobre a situação de forma mais ativa e tentar trabalhar uma forma de lidar com isso." disse Fisher.

Fonte: Redação Terra - 06/07/2010

6 de julho de 2010

FRIDA KAHLO

"Espero alegre a saída e espero nunca voltar"

Última página do diário de Frida Kahlo (1907-1954) 06 de Julho

trajetória marcada por doenças

No Admirável Mundo Médico, * analisamos apenas duas obras de Maldalena Carmen Frida Kahlo (1907-1954), considerada a mais importante pintora mexicana: Auto-Retrato com o Retrato do Dr Farill (1951) e A Coluna Quebrada (1944). Frida Kablo é dona de uma biografia singular e de uma produção artística riquíssima, por isso merece um novo enfoque neste livro. Algumas informações do Admirável Mundo Médico precisarão ser repetidas aqui para compormos a trajetória marcante de Frida Kahlo.
Aos seis anos de idade, Frida contraiu poliomielite. A doença deixou como marcas o membro inferior direito mais curto e a musculatura atrofiada. O constrangimento causado por essas seqüe- las acabou criando um fato extremamente interessante para encobrir a deficiência Frida começou a usar saias longas como as das indígenas mexicanas. Já famosa, as intelectuais de sua época e as mulheres de um modo geral acharam que ela estava; lançando moda e começaras a também usar aquelas saias longas.

Acidentes (1926). Frida Kahlo. Gravura a lápis


Quando tinha 18 anos, o ônibus no qual Frida Kahlo viajava chocou-se com um bonde. Em conseqüência da gravidade do aci-dente, no qual várias pessoas morreram, ela sofreu fraturas em três vértebras, fratura cominutiva (fragmentação) da tíbia e fíbula direitas, além de três fraturas de pelve (bacia).
Quando ainda estava convalescendo das múltiplas fraturas so-fridas no acidente de ônibus, Frida fez em seu diário uma aquarela retratando sua visão do acidente.
Por conta da fratura de pelve, Frida foi informada de que não poderia ter filhos de parto normal, e era recomendável portanto


que evitasse engravidar. O acidente também destruiu seu sonho de ser médica. Em 1929 ela sofreu o primeiro aborto; em 1932, o segundo e último. Seu grande desejo era ter filhos, e a impos-sibilidade de concretizá-lo naturalmente deixou-a extremamente traumatizada.

O Hospital Henry Ford, ou Cama Voadora (1932). Frida Kahlo. Óleo sobre metal 77,5 x 96,5.Coleção Fundaçao Dolores Olmedo (México)


Nesse período, Frida pintou o quadro O Hospital Henry Ford, também conhecido como A Cama Voadora (1932). O quadro mostra a pintora deitada no leito do hospital, localizado em Detroit, EUA. Flutuando sobre o leito, pode ser visto um feto do sexo masculino, um caramujo e um modelo anatômico de abdome e de pelve. No chão, abaixo do leito, são vistos uma pelve óssea, uma flor e um autoclave. Todas as seis figuras estão presas à mão esquerda de Frida por meio de artérias, de modo a lembrar os vasos de um cordão umbilical. O lençol sob Frida está bastante ensangüentado. Seu corpo é demasiadamente pequeno em relação ao tamanho do leito hospitalar, de modo a sugerir seu sofrimento e sua grande solidão.
Do olho esquerdo de Frida goteja uma enorme lágrima, simbo-lizando a dor de uma mãe pela perda do filho; a pelve óssea é um testemunho da causa anatômica da impossibilidade de ser mãe.

Nascimento (1932), ou O Meu Nascimento. Frida Kahlo. Óleo sobre metal .Coleção particular (Estados Unidos)


Uma pintura marcante do ponto de vista médico intitula-se Nascimento, ou O Meu Nascimento, de 1932. Nessa pintura a óleo, a artista imagina como teria sido o parto do qual ela havia nascido, ligando a cena ao seu trauma quando sofreu os abortos. A cabeça da mãe de Frida encontra-se coberta por um lençol, em alusão ao fato de que sua genitora falecera no período em que ela pintava esse quadro.
Há também uma pintura chamada O Coração, ou Recordação, de 1937, onde ela pinta um coração de tamanho proporcional ao seu sofrimento ao ter descoberto que seu marido, o também pintor e muralista Diego Rivera (1886-1957), mantinha um romance com sua irmã Cristina (1908-1964). No quadro ela se mostra com o tórax traspassado por um objeto perfurante, enquanto o coração sangra no chão, exprimindo sua imensa angústia.
É interessante observar que há um curativo no seu pé esquerdo; isso se explica porque, na verdade, os ferimentos no membro inferior esquerdo de Frida nunca cicatrizaram, tendo evoluído para osteomielite com conseqüente amputação. Cerca de dois anos após a amputação, fato que a deixou extremamente deprimida, a pintora veio a falecer.
Frida tinha 11 meses quando a irmã Cristina nasceu. Por causa da recém-nascida, sua mãe entregou-a para ser amamentada por uma ama-de-leite. Um profundo sentimento de rejeição seguiu a pintora por toda a vida e foi expresso no quadro Eu a Mamar, também chamado A Minha Ama e Eu, de 1937. Para retratar a frieza com que a ama-de-leite a amamentava, Frida pinta os olhos e a face dela de negro, tirando-lhe a personalidade e mostrando que não queria que ela a fitasse. A nutriz é vista por transparência e é possível identificar a glândula mamária e seus ductos. Da mama direita, com o mamilo enrijecido, também goteja leite.

O Coração, ou recordação (1937). Frida Kahlo. Coleção Michel Petijean ( Paris)

Eu a Mamar, ou A Minha Ama e EU (1937). Frida Kahlo (1907-1954).Óleo sobre tela . Coleção Fundação Dolores Olmedo (Méxivo)

A pintura intitulada As Duas Fridas, de 1939, mostra a ana-tomia do coração. O objetivo dessa tela foi mostrar as duas personalidades que dominavam Frida quando da crise conjugal que resultou na separação de Diego Rivera. O trauma causado pela separação gerou uma pintura com um toque anatômico: uma personalidade é a Frida mexicana, a outra é a Frida distante, européia.

Os corações em sofrimento estão unidos por veias braquiocefálicas direitas de ambos os corações. Tais veias estão tão unidas quanto unidas estão as mãos das Fridas. A Frida européia mostra seu coração dilacerado, aberto, com as valvas, músculos papilares e cordas tendíneas à mostra. A sua veia subclávio direita está presa por uma pinça sob controle da mão direita, dando a entender que a qualquer momento a Frida abandonada se deixará esvair em sangue até à morte.
Depois de se submeter a mais uma operação de coluna, em 1946, agora em Nova York, Frida pinta o quadro Árvore da Esperança, Mantém-te Firme. Esse retrata seu sofrimento, simbolizado pela
noite, enquanto a esperança de recuperação é mostrada pelo sol brilhando no início de um novo dia.

As Duas Fridas (1939). Frida Kahlo. Óleo sobre tela, 173 x 173 cm. Museu de Arte Moderna (México)


Árvore da Esperança, Mantém-te Firme (1946). Frida Kahlo. Óleo. 56 x 40.5 cm. Galeria de Artes Isadora Ducasse (Nova York)

O chão sob o qual Frida repousa encontra-se todo fendido, rachado, simbolizando as fra-turas nos seus ossos. Sobre a maca, ela deixa à mostra as regiões lombar e pélvica, nas quais pode-se ver a incisão sangrante feita para a osteossíntese vertebral, e outra incisão oblíqua na projeção da crista ilíaca direita, de onde foi retirado o osso para enxertia. A Árida sentada ao lado da maca com vestimenta tehuana segura na mão esquerda o colete ortopédico que ela sonhava abandonar quando estivesse curada. Na mão direita, ela agita uma bandeirola que dá nome ao quadro.

O Marximo Dará saúde aos Doentes (1954). Frida Kahlo


A pintora se submeteu a mais de 30 cirurgias, entre as quais sete de coluna. O Dr. Juan Farill foi o médico que operou sua coluna e foi homenageado por Frida com o quadro Auto-Retrato com o Retrato do Dr. Farill (1951).
Corria o ano de 1954 quando Frida resolveu retratar sua convicção, ou simpatia, pelo marxismo. Ela então pinta O Marxismo Dará Saúde aos Doentes. Nessa obra, a artista exterioriza seu sonho de que o marxismo acabaria com todo o sofrimento e dor que subjugam a humanidade. Ela estava tão entusiasmada com a idéia de que o marxismo seria a esperança de novos dias para o povo mexicano que, nessa pintura, abandona as muletas, embora se mantenha com o colete ortopédico. As mãos do marxismo a envolvem num gesto aconchegante. A pomba da paz voa no céu. O mundo dividido entre marxistas e capitalistas aparece à sua direita; à esquerda de Frida vê-se Karl Marx estrangulando Tio Sam, cujo corpo é a águia americana. A mão esquerda de Frida segura o livro vermelho do comunismo e próximo a ele vê-se o cogumelo da bomba atômica. A pomba, observamos, parece alçar vôo a partir da Rússia (ex-URSS) e da China.
Em 1954, Frida Kahlo foi encontrada morta. Seu atestado de óbito registra embolia pulmonar como a causa da morte. A última anotação em seu diário permite aventar-se a hipótese de suicídio.

Esquadros Ádriana Calcanhoto

Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que não sei o nome.
Cores de Almodóvar, cores de Frida Kahlo, cores.
(...)
Pela janela do quarto, pela janela do carro,
Pela tela, pela janela,
Quem é ela, quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado, remoto controle.

Última página do diário de Frida Kahlo (1907-1954): "Espero alegre a saída e espero nunca voltar."

Fonte: www.portalmedico.org.br

5 de dezembro de 2009

BRASÍLIA PEDE SOCORRO

Poderíamos neste momento de impacto dizer que Brasília pede socorro, pede atenção, pede como capital da Nação a volta da ética.
Como comemorar 50 anos de vida, no meio da lama moral que hoje os brasilienses se deparam com esta falta de compostura e ética praticada por seus governantes?
Há 50 anos quando Juscelino e Jango inauguravam Brasília, depois de construírem com a coligação PTB-PSD o governo desenvolvimentista que transformou o cerrado em Capital da Nação, em sua missa inaugural vemos Jango olhando o Presidente Juscelino chorar de emoção, em meio à realização do grande sonho.
Se os dois , hoje no reino em que se encontram, olhassem para este chão, estariam novamente chorando, com profunda decepção cívica dos acontecimentos que nos envolvem nesta bela capital de Niemeyer e Lúcio Costa.
Juscelino então olharia as coligações que se chegaram a fazer no Distrito Federal, espúrias, tendo os Democratas na condução dos destinos deste povo.
Democratas? Estariam se perguntando, como se a reflexão não fizesse parte, daqueles que conhecemos bem as malandragens de certos partidos que trocam de nome, para com isso tentarem esconder o seu passado.
Não adianta maquiarem o nome do partido sem maquiarem as suas velhas, sujas e maquiavélicas propostas golpistas da direita que sempre orientaram suas ações para escravizarem os direitos do povo em benefício de si mesmos.
A velha ARENA, que foi o braço da ditadura que cassou Juscelino e Jango, transformou-se em PDS, em PFL para agora serem os transvertidos em democratas.
Temos neste momento de perplexidade fazermos uma profunda reflexão, tal vez até uma prece para Juscelino e Jango ficarem em paz onde se encontram para não verem os seus sucessores cuidar de Brasília como neste momento vem acontecendo, prestes ela, a “capital do futuro”, ser tão desprezada por aqueles que, eleitos, não souberam honrar seus nomes e muito menos as suas atitudes para com o seu povo.
O Brasil caminha diante de exemplos indignos, diante de seus filhos maiores.
Devemos sem dúvidas evocar a história para resgatar os valores desta terra, pois somente conhecendo o passado dos heróis, transmitindo estes valores as novas gerações é que conseguiremos tirar não só Brasília, mas a Nação como um todo do triste amanhecer que uma jovem de 50 anos merece em sua biografia.

Brasília 03/12/2009

João Vicente Goulart.

Diretor do Instituto Presidente João Goulart.

8 de novembro de 2009

RAQUETE MATA MOSQUITO - Recarregável ou a Pilha?


Mais conhecida como RAQUETE ELÉTRICA, para quem tem dúvidas ao comprar, recarregável ou a pilha? aqui vai um pequeno alerta ignorado pelos vendedores:

As raquetes que utilizam pilhas são melhores que as recarregáveis. As raquetes recarregáveis possuem dispositivos internos que armazenam a energia. Estes sistemas só podem ser recarregados um número limitado de vezes. Com o passar o tempo eles param de funcionar por não conseguirem mais manter a carga. Estes dispositivos não podem ser trocados com facilidade e com isto sua raquete perde sua função para sempre. Além disso, as raquetes recarregáveis precisam ser conectadas a rede elétrica comum e isto pode representar um risco.

As raquetes que utilizam pilhas podem ser utilizadas com pilhas recarregáveis. Caso a sua pilha recarregável deixe de funcionar corretamente com o passar dos anos basta comprar uma nova pilha recarregável. Desta forma as raquetes que utilizam pilha duram mais que as raquetes que são recarregáveis.

É um excelente produto além de ser muito divertido ver aqueles indesejáveis insetor "mordedores" que ao te picarem você fica com a sensação que levou uma dentada, ninguém merece!

4 de setembro de 2009

FORMIGAS

no jardim, na cozinha, na sala... o que fazer?
As danadinhas nos tiram do sério, passeiam em bando e tomam conta da casa, imagine na hora do lanchinho sair para atender o telefone e quando voltar seu ranguinho está sendo surrupiado. Principalmente quem mora em casa passa por situações contrangedoras. Encontrei esta matéria que tem tudo a ver, principalmente pela opção de repelentes caseiros.
Mudei para uma casa onde está infestado daquelas formigas pretas, magriinhas e extremamente rápidas, atacam tudo, não apenas doces. Em atitude desesperada esparramei cravo-da-india pelo chão da cozinha, era elas ou eu, em 5 minutos tudo voltou ao normal, funciona mesmo!

As formigas são a praga que mais incomoda o homem, seguidas por baratas e cupins, conforme levantamento realizado em 2000 pelo pesquisador Paulo Roberto Corrêa, especialista em Entomologia Urbana, entre 350 empresas controladoras de vetores e pragas. Os problemas trazidos por formigas podem variar do simples incômodo a picadas e até mesmo a infecções hospitalares, de acordo com pesquisa realizada entre 1999 e 2000 pela docente da Pontifícia Universidade Católica de SP, Marcela Pellegrini Peçanha. Segundo ela, esses insetos podem transportar bactérias em seu corpo. Em outro trabalho, do professor Odair Correa Bueno, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), verificou-se a presença de 23 espécies de formigas num só hospital.

As espécies

Segundo a pesquisadora Ana Eugênia Campos Farinha, do Instituto Biológico de SP, há entre 20 e 30 espécies de formigas que vivem em estreito contato com o homem. Entre as mais comuns estão a Tapinoma melanocephalum (formiga-fantasma); a Paratrechina longicornis ou Paratrechina fulva (formiga-louca); a Linepithema humile (formiga argentina); a Monomorium pharaonis ou Monomorium floricola (formiga-faraó); a Wasmannia auropunctata (formiga pixixica), e também as dos gêneros Crematogaster (acrobatas); Brachymyrmex (sem nome comum); Camponotus (carpinteiras); Solenopsis (lava-pés) e Pheidole (cabeçudas), além de saúvas (gênero Atta) e quenquéns (gênero Acromyrmex), estas mais encontradas no meio rural.

As picadas das lava-pés, formigas pequenas que formam ninhos com montes de terra solta em áreas gramadas ou calçadas, podem resultar em leve coceira ou até em choques anafiláticos em pessoas alérgicas. "É que, a cada picada, a lava-pé solta veneno", diz Ana.

As carpinteiras são assim chamadas porque fazem ninhos em locais onde há madeira – troncos de árvores, batentes de portas e janelas, rodapés, forros, gavetas e armários –, escavando-a para fazer o ninho. De hábitos noturnos, elas também se instalam dentro de aparelhos eletrônicos, como videocassetes – hábito também observado nas formigas-faraós. De acordo com Ana, o número de cabeçudas e argentinas tem crescido. "Ambas as espécies expulsam outras formigas que já estejam no local. Estas se mudam e ampliam a infestação de todas as espécies".

Controle

O controle desses insetos pode ser químico ou natural. Iscas formicidas de ação lenta são as mais eficientes, porém nem todas funcionam com todas as espécies. "Iscas para saúvas não funcionam com formigas urbanas", diz Ana. Inseticidas convencionais também não são a melhor forma de combatê-las. "Matar esses insetos com inseticida não é eficiente, pois dentro de casa fica no máximo 30% da colônia. O resto fica no ninho".

O proprietário da MRZM – Indústria e Comércio de Produtos Contra Pragas Urbanas, Francisco Mascaro, indica iscas atrativas microgranuladas. Espalhadas em pequenas porções nos armários e locais de passagem das formigas, elas atraem os insetos que, em vez de comer a isca no local, levam-na para o ninho, dividindo-a com a colônia. O produto, venenoso, mata o formigueiro. Uma caixa da isca com cinco envelopes de 2,5 gramas custa em média R$ 10 e é suficiente para um apartamento de 100 metros quadrados. "A quantidade de veneno é pequena e não prejudica o ser humano".

O gerente-regional da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri) de Santa Catarina, Osvaldir Dalbello, diz, porém, que o controle químico deve ser a última alternativa e indica a prevenção como melhor solução: higienizar os ambientes, diminuir a oferta de alimentos e mantê-los bem acondicionados, embalar e dispensar diariamente o lixo e vedar frestas de azulejos "pode ser um bom começo", diz.

Os aparelhos de ultra-som são, segundo Mascaro, outra opção. O aparelho altera o campo magnético e faz com que as formigas percam a referência de localização. "Ele funciona com eletricidade, não esquenta e não causa danos ao homem." O ultra-som cobre um raio de até 200 metros quadrados, independentemente da existência de barreiras físicas. O preço médio é de R$ 170,00.

Remover ninhos visíveis, como os das lava-pés, é uma alternativa que exige persistência, explica Ana Eugênia. Joga-se, no caso, uma solução de metade água, metade água sanitária ou apenas água fervente nos ninhos. A aplicação deve ser feita à tarde, para que a água sanitária não queime o gramado.

Para eliminar formigas residenciais é preciso identificar ninhos em potencial, como buracos em azulejos. Com uma seringa, aplica-se uma mistura meio a meio de água e detergente e, posteriormente, fecham-se os furos com parafina, cimento ou sabão. Se as formigas voltarem, significa que o ninho da rainha não foi eliminado. Repetem-se as aplicações até atingir o ninho principal.

Repelentes

Alguns métodos repelentes também são indicados, conforme explica o professor Bueno, da Unesp Rio Claro. Ele esclarece, porém, que não é possível livrar-se da totalidade dos insetos só com essas receitas. A sugestão é distribuir punhados de cravo-da-índia, folhas de louro, cascas de limão ou de tangerina – que possuem óleos essenciais repelentes – pelos cantos dos armários ou da casa. Dentro do açucareiro, pode-se colocar um sachê feito com gaze e cravo-da-índia. Em todos esses casos, é necessário fazer a troca a cada duas semanas, para que o cheiro não se dissipe.

Para a área rural, são indicadas iscas formicidas de ação lenta contra formigas cortadeiras. Dependendo do princípio ativo, podem ser tóxicas às formigas, agindo por ingestão, ou ao fungo que as alimenta no ninho, levando os insetos a morrer de fome. Devem ser usadas de acordo com as instruções do fabricante.

Fonte: www.estadao.com.br; Instituto Biológico de São Paulo, (0--11) 5087-1793; Centro de Estudos de Insetos Sociais/Unesp Rio Claro, (0--19) 534-8523.